terça-feira, 4 de outubro de 2016

Solidão Amorosa

Esta vida que tenho
não é a mesma que me retratam.
Para eles, a adolescência
é estar alegre e nunca triste;
para mim, a adolescência
é sofrer, sonhar sem concretizar,
sorrir para disfarçar esta tristeza
que há dentro de mim.

Acordar de manhã é um desafio,
pronto a enfrentar.
Abro os olhos com novas expetativas
de um dia melhor.
Mas basta uma leitura de mensagem
para o dia piorar.

Ao levantar dos lençóis,
começo a pensar:
sinto-me inútil, desprezado,
horrível, sem jeito para nada,
azarado em tudo,
especialmente no amor.

Ao sair de casa,
penso que o dia ainda pode melhorar.
Mas aí penso em todas as desilusões sofridas,
todas as ilusões pensadas,
todos os sentimentos presentes em mim.

Entro na escola,
a pensar em amizades.
Mesmo assim sinto-me sozinho,
no meio da multidão.
Sinto que existe um bocado de mim
que ainda não foi preenchido,
ocupado por alguém especial.

Chego a casa,
imagino o que possa vir.
Brigas entre irmãos,
trabalho sem cessar,
paciência a acabar.

Ao deitar-me,
penso num melhorar.
Mas aí vejo as mensagens recebidas
e acabo o dia a chorar.
Desanimado, sem esperança
num futuro melhor.

ALGUÉM TRISTE NO PASSADO (2015)

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