Esta vida
que tenho
não é a
mesma que me retratam.
Para eles, a
adolescência
é estar
alegre e nunca triste;
para mim, a
adolescência
é sofrer,
sonhar sem concretizar,
sorrir para
disfarçar esta tristeza
que há
dentro de mim.
Acordar de
manhã é um desafio,
pronto a
enfrentar.
Abro os
olhos com novas expetativas
de um dia
melhor.
Mas basta
uma leitura de mensagem
para o dia
piorar.
Ao levantar
dos lençóis,
começo a
pensar:
sinto-me
inútil, desprezado,
horrível,
sem jeito para nada,
azarado em
tudo,
especialmente
no amor.
Ao sair de
casa,
penso que o
dia ainda pode melhorar.
Mas aí penso
em todas as desilusões sofridas,
todas as
ilusões pensadas,
todos os
sentimentos presentes em mim.
Entro na
escola,
a pensar em
amizades.
Mesmo assim
sinto-me sozinho,
no meio da
multidão.
Sinto que
existe um bocado de mim
que ainda
não foi preenchido,
ocupado por
alguém especial.
Chego a
casa,
imagino o
que possa vir.
Brigas entre
irmãos,
trabalho sem
cessar,
paciência a
acabar.
Ao
deitar-me,
penso num melhorar.
Mas aí vejo
as mensagens recebidas
e acabo o
dia a chorar.
Desanimado,
sem esperança
num futuro
melhor.
ALGUÉM TRISTE NO PASSADO (2015)
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