Hoje de manhã vínhamos a falar e eu
perguntei-te se já tinhas posto o vestido ou se ainda te escondias atrás da
velha armadura enferrujada. Asseguraste-me que irias para o acampamento vestida
com o vestido. Contudo, quando te perguntei se estás pronta para seres uma
princesa, tu respondeste que não sabias. Só responde “Não sei” quem tem
dúvidas…
Percebo o quão difícil deve ser
tornar-se uma princesa depois de te terem “brincado” contigo. Percebo porque
passei pelo mesmo… Duas vezes em dois anos conseguiram brincar comigo,
destroçar-me, deitar-me mais abaixo do que eu já estava… Cada vez mais pensava
que eu era um inútil, que não servia para mais nada a não ser um brinquedo na
mão dos outros… Cada vez mais desejava desaparecer para o mundo. Vivo ou morto,
queria desaparecer para sempre… Várias vezes pensei em atirar-me para a frente
de um carro, mas graças a Deus que estou aqui…
Depois de tudo o que passaste, confiar
em alguém parte da tua vida deve ser difícil… Quando pensas nisso, provavelmente
estás a pensar: “Voltarei a sentir-me abandonada?”; “Serei afastada?”; “Serei a
última pessoa a saber de tudo?”; “Voltarão a brincar com os meus sentimentos?”;
etc… Se for isto que pensas, eu entendo-te… Com todos estes pensamentos, é
normal que te tenhas escondido dentro da armadura…
Mas agora meteste o vestido e não te
sentes preparada para ser uma princesa… É difícil encontrar um príncipe neste
mundo que ame verdadeiramente, e não da boca para fora. É difícil encontrar um
príncipe hoje em dia que tenha a mesma mentalidade dos príncipes da altura dos
nossos avós… Isto é verdade, e não vale
a pena negar…
Em
1960, a taxa de divórcio era apenas de 1,1%, ou seja, apenas um casal em 100 é
que se divorciava… Como é que isto era possível? Nessa altura, quando havia
discussões e “tempestades” familiares, sempre se procurava resolver essa
situação. No nível do casamento, a geração deles era conhecida como “A geração
que não deitava nada fora e tudo se resolvia”… Contudo, se avançarmos até 2013,
a taxa de divórcio está nos 70%, ou seja, 70 casais em 100 se divorciam… Em
apenas 50 anos, a taxa de divórcio aumentou 70%!! E porquê? Porque vivemos numa
geração em que a maioria procura o fácil e rápido do que o difícil e lento… E
isto não se aplica só a casamentos, também é a namoros…
A
realidade de um príncipe encantado (=homem romântico) está cada vez mais
distante… Cada vez mais “é raro encontrar um homem romântico”… Mas sejamos
sinceros, nem todas as raparigas merecem um homem destes… Tal como são raros
esse tipo de homens, “também são raras as mulheres que merecem um homem
destes”.
Posso
não ser um príncipe bonito fisicamente, mas considero que sou bonito por
dentro… Posso não ser muito forte fisicamente, mas considero que sou forte
psicologicamente… Cresci e fui sofrendo, mas também fui aprendendo a lidar com
todas as situações, uma a uma... Aliás, posso até mesmo nem ser um príncipe,
mas quero fazer-te sentir uma princesa, uma princesinha, a minha princesinha… Quero
ser eu a acordar-te com um telefonema a dizer “Bom dia amor da minha vida!!”;
quero passear contigo por onde quer que seja e andar de mãos dadas, para que os
outros vejam que tu és minha, que eu te amo; quero ser eu a andar, pela
praça/rua toda, com um bouquet de rosas para te oferecer; quero ser eu a
levar-te às cavalitas por todo o lado; quero proteger-te de todos os perigos;
etc... Acima da minha felicidade, quero meter a tua; acima do meu bem-estar,
quero meter o teu… Acima da minha vida, quero meter a tua…
E agora, qual é a tua razão para não
te sentires uma princesa? Já tens o vestido, só precisas de sentir aquilo que
verdadeiramente és: uma princesa… Estou aqui, quero fazer-te sentir aquilo que
nuca sentiste: uma princesa de verdade, onde os teus sentimentos e a tua vida
são muito importantes… Quero ser o teu príncipe e guarda-costas, ou seja,
proteger-te de todo o mal e meter-me à frente “de todas as balas” que venham na
tua direção…
Já te sentes uma princesa agora ou
ainda precisas de provas de amor maiores para sentires que, para mim, és uma
princesa e que te vou tratar como tal? Larga todos os teus medos e receios,
veste o vestido de uma vez por todas e sente, de uma vez por todas, a princesa
que tu és. Claro que nós vamos ter discussões sobre muitas coisas, inclusive
ciúmes (quem sabe), mas não é a separação que vai resolver isso; são as
palavras e o tempo que vão resolver… Mesmo com essas possíveis discussões, vou
continuar-te a amar da mesma maneira e vou sempre procurar uma solução, tal como
fazia a geração dos nossos avós…
Depois disto tudo, eu pergunto-te:
estás pronta para ser uma princesa, a minha princesinha? Nunca te abandonarei
nem te deixarei sozinha, porque te amo muito… <3 <3
Para ti, princesa
Por Mateus Ferraz